Por Olímpio Cruz Neto

Renato Russo, à frente do Aborto Elétrico, em 1980
Há 15 anos, em 11 de outubro de 1996, o Brasil perdia Renato Russo, o maior compositor do rock brasileiro dos anos 80 e 90. Naquele dia, um dos mais irriquietos cantores e poetas do Brasil cerrava os olhos e entrava para a galeria de mitos do rock’n'roll, tornando-se referência constante para a juventude brasileira, ansiosa por sua poesia marcada pela ética e pelo amor. Renato, além de um excepcional letrista, foi um grande cantor e um artista complexo, em permanente estado de ebulição.
O jovem Renato Manfredini Júnior morreu, mas a gigantesca sombra do mito permanece. Para muitos, parece mesmo que ele jamais se foi. Pudera. O culto à Legião Urbana e Renato continuou crescendo à medida que seu trabalho ganha mais fãs e suas composições, novos intérpretes. Sim, porque a Legião Urbana continua sendo citada em entrevistas e gravada por bandas e músicos. Senão, vejamos… Nos últimos anos, os Paralamas do Sucesso lançaram o seu “Acústico” ancorado em “Que país é este?”… Capital Inicial incluiu em seus shows a mesma canção, embora tenha diversas outras gravadas com a assinatura de Renato… Jerry Adriani lançou “Forza Sempre”, um disco todo em cima do repertório da Legião, vertido para o italiano… Os Titãs gravaram “Sete Cidades”… O Barão Vermelho gravou “Quando o sol bater na janela do teu quarto”… O Ira! gravou “Teorema”… Zélia Duncan, “Quase sem querer”… Fora os filmes que ganharão as telas de cinema nos próximos meses: “Faroeste Caboclo”, “Rock Brasília”, “Somos tão jovens”…
Poucas vezes, no rock brasileiro, um artista foi elevado à condição de semi-deus. Talvez apenas Raul Seixas, outro grande nome da música brasileira. Os discos da carreira solo de Renato, bem como toda a obra da Legião, continuam em catálogo, vendendo sempre bem nas lojas. Existem mais de 4,5 milhões de citações em páginas que mencionam ou destacam Renato Russo e à sua obra na internet. Muitas construídas pelos fãs. A fama, como se vê, só aumentou com o seu desaparecimento, uma regra na construção dos mitos do rock.
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