25 Novembro, 2009

Cândido e Caetano. Do mestre, com carinho

Outra pérola do mestre Cândido Mendes, publicada no Jornal do Brasil desta quarta-feira. Ele aborda as declarações de Caetano Veloso sobre o “analfabeto” do presidente da República. Escreve o mestre: “O país que vai às urnas em 2010 tem na sua cabeça novas e legítimas razões de apoio ao governo que descartou por inteiro o que diga o palanque das oposições vociferando contra os ditos analfabetos e cafajestes. O nouveau richismo verbal de Caetano só mostra como se perdeu no Brasil de Lula, este que sabe para onde não quer voltar, e de como vai adiante, nas certezas do país da mudança e não do vedetismo deslumbrado“.

Caetano perdido no Brasil de Lula

Candido Mendes

Até onde convive com a democracia o excesso da popularidade presidencial? O exemplo de Lula ao reforçar o seu ineditismo é o de que só avança na aprovação política o presidente que renunciou a toda a veleidade de um terceiro mandato, e chega a esses dados únicos de aprovação em fins de seu segundo governo.

Não há que repetir como os países lá fora, a partir do próprio Obama, mostrem o nosso capital de respeito internacional. É o roldão que acossa o status quo nacional, enraizado na oposição proverbial que parece, de vez, perder o pé entre nós. Ou fecha-se a todos os “olhos de ver” e explode em despautérios melancólicos, como vem de fazer o atarantado Caetano Veloso, chamando Lula de analfabeto e cafajeste.

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25 Novembro, 2009

Mauro Santayana e a visita de Ahmadinejad

O mestre Mauro Santayana aborda a política externa brasileiro em um belo artigo publicado no Jornal do Brasil desta quarta-feira. Vale a leitura, claro. No mínimo, pela visão distanciada e não tão apaixonada sobre a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, em sua passagem de 24 horas pelo Brasil. Uma peça de bom jornalismo.

O visitante que veio da Pérsia

Mauro Santayana

A movimentação diplomática do Brasil, tendo à frente a personalidade peculiar de seu atual chefe de Estado, vem sendo criticada pela oposição e meios de comunicação, e de forma ainda mais contundente, quando se dispôs a receber o presidente do Irã. Houve passeatas, muito bem organizadas, com dísticos e faixas caras, contra o visitante. Não houve os mesmos protestos quando o presidente recebeu, há poucos dias, o presidente de Israel.

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24 Novembro, 2009

O medo e a desorientação. A velha mídia agoniza

Há uma espécie de frenesi, medo e angústia em Brasília. Não que as pessoas ainda estejam atônitas pelo blecaute ocorrido na noite de segunda-feira no Rio de Janeiro. Ou o fato de Mahmoud Ahmadinejad, o todo poderoso do Irã, ter contrariado os princípios de nobreza e liberdade individual dos colunistas dos nossos grandes jornais. É mais por conta do quadro geral em que a velha mídia se encontra.

Sobre isso, há um texto muito interessante, publicado no Observatório da Imprensa pelo jornalista Carlos Castilho. Ele aborda o estado geral dos barões da mídia, os homens por trás da imprensa tradicional, mergulhados na paralisia e no medo por conta do impacto das novas mídias no hábito dos consumidores de notícias.

Escreve Castilho: “(…) há uma migração do público consumidor de informações e dos anunciantes rumo à web. Mas nem os editores e muito menos os marqueteiros e executivos sabem como faturar na internet o suficiente para garantir a sustentabilidade das iniciativas online”. Um problemaço para o baronato midiático.

De fato, a velha mídia tem um problema central. No Brasil e no mundo. Como manter um grau de confiabilidade e eficiência, sustentada financeiramente, se as pessoas estão dispostas a obter essas mesmas informações jornalísticas, de graça, na internet? Há uma resposta chave para essa questão?

Ninguém sabe o que vai dar essa onda, objeto de estudos e ataques, como o do especialista Andrew Keen, autor da obra “O culto do amador”, em que avalia o impacto destrutivo da revolução digital na cultura, economia e valores da civilização ocidental. O livro amplia as reflexões, embora, na minha avaliação, seja um tanto quanto pessimista.

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11 Novembro, 2009

Do mestre Cândido Mendes

Para onde não vamos

O ex-presidente pergunta-se, indeciso, para onde vamos. Mas as próximas eleições mostrarão para onde não voltamos

Cândido Mendes

O artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (“Para onde vamos”) revigora todo o debate político nacional, tirando as oposições de sua presente e contundente mediocridade. Amplo no propósito e na riqueza polêmica, parte da afirmação de que tudo que é bom no atual governo já veio de antes e que o mal de agora apenas começa.

Há, sim, confronto radical entre os dois regimes, ao contrário do que diz, e os tucanos abriram o país à globalização privatista hegemônica, enquanto o petismo vai hoje, com a melhoria social do país, à recuperação do poder do Estado, numa efetiva economia de desenvolvimento sustentável.

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10 Novembro, 2009

FHC e a velha UDN de guerra

Foi-se o tempo em que o presidente Fernando Henrique Cardoso tinha poderes no bico de pena para convencer pessoas de suas idéias. Da sua mais recente lavra como articulista bissexto, surgiu na imprensa paulista – Estadão 1º de novembro – o artigo abaixo ‘Para onde vamos’, um conjunto tosco de jargões para a oposição ressentida. Fernando Henrique, aqui, é capaz de cometer impropriedades graves, como taxar o governo de Lula como produto de um “subperonismo”… A falta de força política em suas expressões ganha contornos dramáticos. Parece antever o fim da oposição. Daí esse desespero. Quer dar comando à tropa, desarticulada e imersa na própria estupefação. Leia a íntegra do texto, reproduzido abaixo:

Para onde vamos?

Fernando Henrique Cardoso

A enxurrada de decisões governamentais esdrúxulas, frases presidenciais aparentemente sem sentido e muita propaganda talvez levem as pessoas de bom senso a se perguntarem: afinal, para onde vamos? Coloco o advérbio “talvez” porque alguns estão de tal modo inebriados com “o maior espetáculo da Terra”, de riqueza fácil que beneficia poucos, que tenho dúvidas. Parece mais confortável fazer de conta que tudo vai bem e esquecer as transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes. Tornou-se habitual dizer que o governo Lula deu continuidade ao que de bom foi feito pelo governo anterior e ainda por cima melhorou muita coisa. Então, por que e para que questionar os pequenos desvios de conduta ou pequenos arranhões na lei?

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9 Novembro, 2009

O muro, 20 anos

28 Outubro, 2009

O ativismo do ‘Cérbero’ da grande mídia

Na Divina Comédia de Dante Aligheri, Cérbero era o cão faminto na porta a atormentar os gulosos. (Ilustração: Gustavo Doré)

Na Divina Comédia de Dante Aligheri, Cérbero era o cão faminto na porta do inferno a atormentar os gulosos. (Ilustração: Gustavo Doré)

Ex-comunistas, Dora Kramer e Míriam Leitão apontam para a oposição os rumos e a resposta à velha máxima de Lênin: “o que fazer?”

Olímpio Cruz Neto

Jornalista com mais de 20 anos de profissão e passagem por alguns dos principais jornais brasileiros – Folha, Globo, JB, Zero Hora e Correio –, sei como funcionam as grandes redações. A linha editorial de cada veículo é definida pelos donos dos veículos e seguida à risca pelos editores e colunistas. É a regra do jogo. Entra nele quem quer.

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27 Outubro, 2009

Paulo Henrique Amorim e a crítica mordaz à imprensa

O jornalista Paulo Henrique Amorim abriu, nesta segunda-feira, 26 de outubro, no Iesb, em Brasília (DF), o ciclo de palestras “O poder da blogosfera e o jornalismo no século 21, organizado pela Escola Livre de Jornalismo, uma iniciativa minha e de Leandro Fortes, e do IESB.

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14 Outubro, 2009

Blogueiros discutem os rumos da mídia

flyer

IESB e Escola Livre de Jornalismo reúnem alguns dos principais nomes da blogosfera brasileira para debater o papel da imprensa no século 21

Cinco dos principais nomes da blogosfera independente brasileira estarão em Brasília, entre os dias 26 e 30 de outubro, para discutir com estudantes de comunicação e profissionais da imprensa o papel das novas mídias. À frente de blogs campeões de audiência, Paulo Henrique Amorim, Luís Nassif, Luiz Carlos Azenha, Rodrigo Vianna e Marco Weissheimer vão conversar sobre a importância das novas mídias.

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9 Outubro, 2009

Esperança e paz

obama

Imagino que, a essa altura, os veteranos e os novos conservadores americanos devem estar estrebuchando. Como é que pode? Obama, prêmio Nobel da Paz? O presidente de Estados Unidos ganhou a indicação deste ano. A justificativa do Instituto Nobel foi que Obama merece o prêmio “por vir estimulando o desarmamento nuclear, por seus extraordinários esforços por reforçar a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos”.

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9 Outubro, 2009

A saga de Major Tom faz 40 anos

Eu ainda acho que David Bowie é um dos maiores artistas de todos os tempos. É subestimado por uma parte dos críticos, que ainda gostam de apenas um dos grandes personagens do camaleão: Ziggy Stardust. Mas eu acho a obra desse gênio simplesmente inatacável.

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8 Outubro, 2009

O melhor chanceler do mundo

Por que o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, está conseguindo êxito

por David J. Rothkpf

Da Foreign Policy

Este pode ter sido o melhor mês para o Brasil desde, aproximadamente, junho de 1494. Foi quando o Tratado de Tordesilhas foi assinado, garantindo tudo no Novo Mundo a Portugal, a partir de uma linha imaginária que passou a existir a 370 léguas a oeste do arquipélago de Cabo Verde. Isso assegurou tudo aquilo que viria a tornar português o Brasil e, portanto, desenvolveria uma cultura e uma identidade muito diferentes do resto da América Latina espanhola. Por causa disso, foi garantido ao mundo o samba, o churrasco, a “Garota de Ipanema” e, por uma cadeia de eventos incrivelmente fortuita, embora tortuosa, até mesmo Gisele Bündchen.

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7 Outubro, 2009

Umberto Eco: “Um blogueiro chamado Saramago”

Em seus comentários sobre a atualidade, o Nobel português exibe uma franqueza e beligerância muito distintas de seu sutil estilo como romancista. A alguns, deixa indignados. Mas outros o consideram estimulante e até simpático

por Umberto Eco

umbertoeco

O escritor italiano Umberto Eco. (Foto: Divulgação)

Curioso personagem, este Saramago. Tem 87 anos e (diz ele) algumas moléstias. Ganhou o Nobel, distinção que lhe permitiria nunca mais produzir nada porque seja como for já tem no Panteão o seu lugar garantido (o avarento Harold Bloom definiu-o “o romancista mais dotado de talento ainda em vida… um dos últimos titãs de um gênero literário em vias de extinção”). Mas eis que o vemos mantendo um blog onde se mete com toda gente, atraindo para si polêmicas e excomunhões vindas de muitos lados – mais frequentemente não por dizer coisas que não deve dizer mas porque não perde tempo em medir as palavras – e talvez o faça de propósito.

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5 Outubro, 2009

Uma canção: “I gotta feeling”


Parece que está circulando há alguns dias na internet. Mas só vi hoje. A nova música do Black Eyed Peas, numa apresentação surpresa no programa da Oprah, ao vivo, em Chicago. Achei sensacional! O mais legal é ver a cara de assustada da apresentadora, quando percebe que a coreografia vai ganhando a platéia. Oitocentos fãs participaram e ensinaram os passos a nada menos que 20 mil pessoas. É o maior Flash Mob da história. Incrível! Para começar a semana de alto astral.

4 Outubro, 2009

Mercedes Sosa, 74


Acabo de saber da morte de Mercedes Sosa. Estou muito triste e arrasado. Para mim, ainda é emocionante ouvi-la cantando desta bela Parra. Foram mais de 40 anos de uma carreira marcante e cheia de lindas baladas e repleta de combates pela justiça social.

Internada desde meados de setembro, ela enfrentava um grave problema hepático que afetou seus rins e pulmões, o que levou a uma disfunção renal progresiva agravada por uma infecção cardiopulmonar. Tinha 74 anos.

“Mãe amada e amorosa, mulher da América ferida, a sua canção nos dá asas e faz com que a pátria toda, encolhida e desolada, ainda não morra, porque sempre cantarás nas nossas almas”, disse a cantora Teresa Parodi. Faço dela, as minhas palavras.

Adeus, “La Negra”.