7 Julho, 2008...10:00 am

Capital Inicial: Rótulo é pra remédio

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A trajetória da banda pioneira da cena brasiliense dos anos 80  

E uma fita k7 com as demos, ensaios e shows do início da carreira da banda

Divulgação

Foto: Divulgação

“Se precisa de um rótulo pra saber quem eu sou/ Cuidado/ Larga do meu pé/ Eu sou o que eu sou e já estou de saco cheio/ Rótulo é pra remédio/ Rótulo é prá remédio…” Em meados de 1983, o Capital Inicial se fazia conhecer em Brasília pelas pichações em muros e pontos de ônibus do Plano Piloto, com o refrão desta canção, Rótulo é pra remédio – inédita e jamais gravada pela banda nos registros oficiais.

De lá para cá, 25 anos já se passaram desde que Dinho Ouro-Preto, Fê Lemos, Loro Jones e Flávio Lemos se juntaram para formar a banda mais eclética da geração roqueira brasiliense que estourou em todo o país. O grupo passou por um grande revés, se redescobriu e agora está na posição que jamais sonhou: é a mais popular banda do Brasil. Um feito e tanto.

O quarteto lança este mês o seu mais novo trabalho, um CD/DVD com o show gravado ao vivo em Brasília e assistido por um milhão de pessoas, durante o aniversário da cidade, em 21 de abril. Foi o maior espetáculo realizado na cidade e, claro, o maior da história do grupo, que nasceu entre paradas e baladas dos quatro moleques que viviam entre a Asa Norte, a UnB e o Lago Norte.

O começo

Na verdade, o grupo tem 26 anos de idade. Foi formado, inicialmente, pelos irmãos Lemos, Loro e uma amigo do trio, chamada Heloísa, estudante de arquitetura da Universidade de Brasília (UnB), que dividia os vocais com Loro, egresso das bandas Blitx e dado e o reino animal – grupo laboratório de Dado Villa-Lobos, grafado assim mesmo, em minúsculas, por onde passaram Dinho, Marcelo Bonfá e Pedro Thompson.

Arquivo pessoal/Fê Lemos

Foto: Arquivo pessoal/Fê Lemos

Com Heloísa, a banda nem chegou a fazer shows em Brasília, ainda no longínquo ano de 1982. A vocalista – de mudança para o Rio Grande do Sul – logo foi substituída por Dinho, namorado de Helena Lemos, irmã de Fê e Flávio, que vinham da mais famosa banda punk brasiliense: o Aborto Elétrico, fundada pelos irmãos com Renato Russo e André Pretórius. O novo vocalista além de freqüentador assíduo da casa dos Lemos era irmão de outro velho amigo: Ico Ouro-Preto, guitarrista fugaz do Aborto e da Legião Urbana, hoje fotógrafo radicado em Paris.

O nome do grupo veio de uma brincadeira, segundo Fê Lemos: “A gente era duro, sem nenhuma grana, mas tínhamos vontade de abrir um bar, uma confecção”, recorda. “A gente queria fazer mil coisas, mas faltava o capital inicial, faltava a grana para começar. Um dia, olhamos um para a cara do outro e falamos ‘Hey! Nós somos o nosso capital inicial’. E daí veio o nome”. Antes, ainda pensaram em adotar os nomes Dona Laura Vai às Compras e Os Esqueletos do Balaço.

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Foto: Divulgação

Com novo vocalista, logo o Capital Inicial tratou de montar um repertório próprio, já que até então as músicas que tocavam eram aquelas do tempo do Aborto, cujo espólio foi dividido entre Fê, Flávio e Renato Russo, autores da grande maioria das canções. Parte das músicas ficou com o Capital e as outras com a Legião. “O repertório era mesmo basicamente punk rock”, lembra Loro, citando como influência direta o rock inglês.

“Foi realmente a mola propulsora”, relembra Dinho. “Começamos a tocar por causa da explosão do movimento punk na Inglaterra”. O lema do it yourself – faça você mesmo – foi responsável pelo Aborto e, conseqüentemente, Capital e as outras bandas da primeira geração oitentista. “Você não precisa de anos para tocar rock”, lembraria Dinho, em 1986, entrevista à revista Roll. “A gente começou do nada e não sabíamos tocar nada”, disse. “Éramos garotos que queriam se divertir”.

Na época, Dinho se considerava punk e editava o zine Fan Zine, que trazia em seus primeiros números, entre outros assuntos, uma discografia selecionada da nova música: Sex Pistols, The Clash, The Damned, Ramones, Siouxie and the Banshees, P.I.L., Joy Division e UK Subs. Só por aí dava para sacar que tipo de som a banda fazia.

Os colaboradores desse zine eram o antropólogo Hermano Vianna, o escritor Marcelo Rubens Paiva, o designer Guilherme Isnard e outros. Hermano já havia falado sobre o cenário musical brasiliense, numa ampla reportagem publicada no início de 1983 na revista Mixtura Moderna, citando o Capital Inicial.

Mixwit

O grupo ensaiava quase diariamente na casa dos irmãos Lemos, no Lago Norte, mas logo os quatro se transferiram para o Edifício Brasília Rádio Center, onde dividiam a sala 402 com a Plebe Rude, Legião Urbana e XXX, que se transformaria em Escola de Escândalos.

Em abril estréiam com a formação original tocando na Temporada do Rock Brasiliense, no teatro da ABO, junto com Plebe Rude, XXX, Legião Urbana e Banda 69. Em julho, tocam no evento Diga adeus ao vestibular, realizado na UnB, causando boa repercussão.

O repertório da banda nessa época já incluía os hits Música Urbana, Veraneio Vascaína – ambas dos tempos do Aborto Elétrico – Prova, Leve Desespero, Descendo o Rio Nilo e algumas que permaneceram inéditas, como Rótulo é pra remédio e Medo.

Você lê mais sobre a trajetória do Capital Inicial nos próximos dias, aqui mesmo no blog, incluindo as duas canções do primeiro single do grupo.

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