Artista popular, brega, no jargão classista, o cantor Waldick Soriano morreu, aos 75 anos, no Instituto Nacional do Câncer (Inca), em Vila Isabel, zona norte do Rio. Baiano, amado pelo povão nordestino, Waldick enfrentava um câncer na próstata há mais de dois anos. Recentemente, a atriz Patrícia Pillar produziu um show do cantor romântico, além de rodar um documentário com a sua trajetória artística, intitulado “Waldick, sempre no meu coração”, lançado em 2006.
Nascido em Caetité, em maio de 1933, chegou a compor mais de 700 canções nos seus 40 anos de carreira. Era uma figura, um tipo mesmo. Chapéu e terno pretos, óculos escuros, uma voz empolada. Fazia um tipo meio cafajeste, meio amante latino. Isso no auge do sucesso, quando estava presente em todas as rádios do país, de norte a sul.
Na década de 80, lembro-me de uma capa dele na IstoÉ em que ele afirmava ser um cantor que conhecia bem o Brasil. Para ilustrar, disse que havia cantado “até em Barra do Corda”, cidade do interior do Maranhão, terra de meus pais e avós. Jornalista e advogado, meu pai foi dezenas de vezes sacaneado pelos amigos em razão da declaração do cantor, que, maroto, incluiu o município maranhense para ilustrar que conhecia como poucos os grotões do Brasil mais profundo. Na verdade, como se Barra do Corda fosse o c* do mundo.
Bem, tenho certeza que os fãs dele na cidade o perdoaram.
Então, Waldick, “até” Barra do Corda o saúda neste momento de despedida.
Valeu, Durango Kid.
O trailer do documentário de Patrícia Pillar está abaixo, publicado pelo jornal baiano A Tarde.